“A PROFISSÃO QUE FORMA TODAS AS PROFISSÕES”

Antes de falar sobre isso, eu te desafio a fazer um teste; saia as ruas, aborde crianças, adolescentes e questione-os: “que profissão você quer ser”? Eu te garanto que as respostas oscilarão desde à  área jurídica, à  saúde, mas não educação. Ninguém fala em ser coordenador, ninguém fala em ser diretor e ninguém fala em ser professor. No entanto, raramente alguém diz que tem vontade de exercer a profissão, e eu me sinto feliz por esta pequena porcentagem.

O que eu vejo atualmente é que somos colocados nas entrelinhas. Eu explico.

Por ser uma profissão tão comum assim como a dos caminhoneiros (comparação hipotética; pense no caos sem os caminhoneiros, e imagine o caos sem professores, pensem no caos sem os médicos, por exemplo); as pessoas não dão tanta importância, não entendem a dimensão  que essa profissão tem para o desenvolvimento da sociedade. Podem até entender, mas é um entendimento, comum, rápido, dentro de uma “caixinha”….

Ontem eu vi uma propaganda na televisão sobre o prêmio “Educador Nota 10”. Tá, mas e aí? Veja só. Porque esse prêmio? “Para valorizar o trabalho do professor,” certo. Mas e as condições físicas das escolas públicas, as salas “lotadas”, a segurança…entre outros tantos problemas. Entende, o que é ser colocado nas entrelinhas?
A sociedade cobra demais dos professores, mas não compreende os desafios da profissão. O professor, hoje, por exemplo, que realiza um projeto para melhorar as necessidades básicas dos alunos, a carência da escola, será destacado mas, apenas a atitude dele é premiada como meio de motivação para ele continuar desenvolvendo o trabalho. Sim, apenas. Temos que nos atentar nas seguintes questões: e a escola? carências que o alunos apresentam ? Qual o problema na escola que motivou o professor tomar tal atitude? A resposta dessa última pergunta, acredito que seja a própria desmotivação na profissão, essa desmotivação foi o gatilho para desenvolver tal prática. Qualquer outro professor, com as condições que a educação apresenta atualmente, teria desistido. A desistência, portanto, desestabiliza o funcionamento da escola, a aprendizagem dos alunos….

Contanto que, se existe um projeto é porque existe um problema. O problema deve ser resolvido, professor parabenizado, o projeto financiado e reconhecido. Parabenizar somente o professor sem entender a motivação para desenvolver tal prática é como se o Estado dissesse:” toma aqui um prêmio, um dinheiro e continue, enquanto desviamos e congelamos verba da educação”.
( Entenda, eu não estou aqui criticando e afirmando que o professor não deva promover tais projetos, cada um trabalha na profissão como quiser!) O que eu estou criticando é o modo como os professores apaixonados pela profissão e que, procuram resolver problemas básicos na educação, que o Estado é que deveria resolver, é visto…).

Assim, o professor não tem que ser premiado somente pelo seu trabalho e esforço. Diante das dificuldades que ele enfrenta todos os dias (não preciso citar quais, elas estão bem na nossa frente, diariamente); ele almeja valorização nas condições do seu trabalho, acompanhamento psicológico, auxílio alimentação, financiamento na sua formação e melhora na estrutura da escola pública, entre outros.

“Mas da metade dos professores não recomendam a profissão”. Quantas vezes eu deparei com professores que estão há mais de 10 anos atuando na sala de aula, e que dizem que “se pudesse voltar no tempo pensaria melhor e escolheria outra profissão”? Os que estão atuando na sala de aula, estão também, estudando para o Enem e vestibulares da vida para fazer outro curso, porque não “aguentam” mais serem professores! É preocupante, desestimulante, desmotivador…

Retomando a discussão sobre o “Prêmio professor nota 10”, é maravilhoso esse tipo de motivação, de reconhecimento do trabalho dos professores que se esforçam para uma educação melhor. Mas, há muito a ser feito, principalmente pelos poderes públicos. Não só a profissão, como a educação também. Além disso, pesquisas mostram que a supervalorização da profissão contribue para o crescimento de um país.

Falo por mim que, a sensação de se passar noites “em claro” planejando aula não serão em vão, se o professor tiver salário digno, se a estrutura escolar  é adequada, se os alunos serão  destacados. Se isso, que é o básico, não está disponível, e se encontra incompleto e desigual em todo o país, desestimula. E a porcentagem do fracasso? é alta, tanto para os profissionais da educação que não querem mais fazer parte desse meio, quanto, mais ainda, para os alunos. E quem sai perdendo nisso tudo? é o país de maneira geral. Assim,  um país que não tem um olhar singelo, cuidadoso para a educação, sendo essa a base de crescimento de um país, fracassa, desmorona, regressa.

Referências

https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/pesquisa-mostra-que-49-dos-professores-nao-recomendam-profissao-22823861?versao=amp

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/idiomas/professor-profissao-das-profissoes/19249

A valorização dos profissionais da educação

Primeiro post do blog

Este é o seu primeiro post. Clique no link Editar para modificar ou excluir, ou então comece um novo post. Se preferir, use este post para informar aos leitores o motivo pelo qual você iniciou este blog e o que planeja fazer com ele. Se precisar de ajuda, fale com os usuários simpáticos nos fóruns de suporte.

Crie um novo site no WordPress.com
Comece agora